Descrição
Por Thomas Toscano
112 anos de memória: dupla de jornalistas faz resgate histórico do futebol nos Jogos Olímpicos
Entre polêmicas, anedotas e reviravoltas, o esporte ganha novos contornos com as cores olímpicas — nos naipes masculino e feminino.
Quatro anos após a ousada ideia de reviver os Jogos Olímpicos na era Moderna, Pierre de Coubertin e o Conselho Olímpico Internacional decidiram incluir novas modalidades na competição. Entre elas, tênis, golfe, rúgbi e… futebol! Assim, na Paris de 1900, dava-se a largada para a história do futebol nos Jogos Olímpicos.
Recontar essa trajetória, porém, não é tarefa simples. Embora hoje o futebol masculino olímpico seja visto como uma competição menor, nem sempre foi assim. O trabalho de Adalberto Leister Filho e Luís Augusto Simon (Menon) impressiona justamente por reconstruir, com rigor e leveza, os detalhes de cada uma das 30 edições dos Jogos — registrando também o contexto histórico, social e esportivo de cada época: o que o torneio representava, o que se passava no mundo e quais eram as peculiaridades de cada evento ou partida.
Tudo isso está reunido em Gol de Ouro – A história do futebol nos Jogos Olímpicos, livro que transforma o futebol em ferramenta para narrar a história do mundo, com direito a reviravoltas, heróis improváveis e conquistas memoráveis.
Um dos relatos mais emocionantes é o da vitória uruguaia em sua primeira participação olímpica:
“Foi com esse cenário que os uruguaios chegaram à Olimpíada. Desconhecidos pelo mundo. E sem conhecer o mundo. (…) O Uruguai venceu facilmente por 3 a 0 com gols de Petrone, Cea e Romano. A torcida francesa, de pé, aplaudia os uruguaios. Eles, em forma de agradecimento, fizeram uma fila e percorreram o campo, acenando aos anfitriões. Nasceu assim a ‘volta olímpica’.”
Naquele momento, conquistar o ouro era o mesmo que levantar uma taça de Copa do Mundo.
Durante o entreguerras e a Guerra Fria, o que estava em disputa nos gramados também era a hegemonia global. Mesmo assim, o futebol manteve sua vocação de ser o palco de “Davids contra Golias”: onde a anexada Áustria podia derrotar a Alemanha de Hitler, e onde Polônia, Nigéria e Tchecoslováquia encontraram o brilho de se tornarem, por um instante, “os melhores do mundo”.
Para o Brasil, as Olimpíadas representaram, por décadas, um grande tabu. O país do futebol, dono de cinco Copas, não conseguia o ouro olímpico. Desde a estreia em 1952 — seguida pelo trauma do Maracanazzo —, as derrotas se sucederam. Ainda assim, as campanhas deixaram marcas:
em 1984, o Brasil ficou com a prata, vingando a Itália de 1982;
em 1988, Romário brilhou, mas parou na União Soviética;
e em 1996, Dunga esbarrou na França, novamente por um fio do ouro.
Com riqueza de informações e narrativa envolvente, Gol de Ouro oferece novas perspectivas sobre o esporte mais popular do planeta. Do Império Otomano aos escândalos de arbitragem, das disputas políticas às brigas dentro de campo, cada página revela como o futebol e o mundo se refletem mutuamente.
Um livro indispensável para quem ama o futebol — e também para quem aprecia boas histórias, ironias do destino e heróis que desafiam os Deuses do Olimpo.





